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CULTO AO BURRO



CULTO AO BURRO

Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, o Soberano, em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do SENHOR (Amós 8:11).

INTRODUÇÃO:

Eu gostaria de compartilhar está pequena reflexão começando com uma frase que há muito ouvi. Ela diz:

Nem tudo que eu desejo é o que eu preciso e nem tudo o que eu preciso é o que eu desejo.

Ouvir uma boa palavra embasada na Bíblia Sagrada, cada dia que passa, fica mais difícil e é privilégio de poucos. Hoje a procura por pregadores coerentes, maduros, reflexivos, conteudistas e equilibrados é o mais árduo dos desafios para milhares de cristãos evangélicos, que ainda prezam ouvir uma coerente palavra da parte de Deus. Pior é quando se tem tudo isso e não se dá valor.

Dias desses, uma pessoa me contou que alguém lhe fez a seguinte afirmação:

“Eu gosto mais de igrejas pequenas, porque têm mais aconchego. Eu gosto de igreja que não tem estudo bíblico; Ah! eu não gosto de estudos bíblicos; eu gosto mesmo é de orações, cura e libertação!”

O que se depreende desta declaração é que, em primeiro lugar, a pessoa não conhece o mínimo do evangelho de Cristo, suas implicações, injunções e seus reais objetivos. O evangelho para esta pessoa tem um quê de sedução e tem por objetivo cooptar a consciência e escravizá-la a uma dependência perpétua de benesses divinas. Uma pessoa dessa não consegue conviver com um “não” de Deus, um silêncio divino, porque está acostumada com um “deus-de-resposta”. Ela está acostumada com um “deus-shazan”, um “deus quebra-galho”.

Em segundo lugar, ela não aprendeu que o evangelho de Jesus não é lugar de satisfazer nosso gosto pessoal, mas evangelho é sinônimo de renúncia, desafio, comprometimento, aliança; é um modo novo de vida. Reino de Deus não é escolha humana, mas é chamamento de Deus. E, conviver no Reino de Deus, é a maneira mais nobre de exercitar a lealdade, a fidelidade, a verdade, a coerência.

Em terceiro lugar, esta pessoa representa a voz de centenas, milhares de pessoas que não estão interessadas em coisa séria, porque não levam Deus a sério; não estão interessadas em aprender para se libertar de maus hábitos, de vícios e de antivalores, do analfabetismo espiritual; não querem crescer, amadurecer, engajar-se.

Em quarto e último lugar, a apresentação de gosto que ela tem ou deixa de ter é absolutamente irrelevante, de um lado, mas, por outro lado, exibe um jeito superficial, epidérmico, um comportamento desprovido de profundidade, essência, seriedade; esta visão de vida cristã é cheia de obviedade e aparência, ausência total de amadurecimento e libertação de consciência, com um desconhecimento bíblico brutal. Para esta pessoa o sagrado da Bíblia é apenas o que lhe beneficia e o que ela gosta. Não entende a Bíblia como a Palavra de Deus que nos chama, desafia, provoca, convoca, envia para vivermos um estilo de vida diferente de tudo o que se vê hoje na sociedade e até nas comunidades pentecostais fundamentalistas.

Falando de comunidades cristãs fundamentalistas, os estereótipos (os modelos) comportamentais no meio evangélico e pentecostal, unidos a uma concepção teológica xiita, talibanizada, afeganizada, só faz aumentar o ódio pelo “outro diferente”, afora a repulsa descomedida por aquele que professa, de forma diferente e com outra linguagem, postura, a mesma fé.

O que eu estou denunciando é que, às vezes, no mesmo bairro ou em bairros próximos, você tem crentes evangélicos com comportamentos fundamen­­­­talistas tão exacerbado que, em nome de Deus, procuram vitimizar pessoas de outras igrejas para as submeterem à sua visão bíblica radical acerca de Deus. Isso é algo profundamente monstruoso, preconceituoso e desleal. Mas, infelizmente, é verdade o que estou dizendo em tom de afirmação.

CULTO AO BURRO

Alguém usar o tempo precioso das pessoas e subir a um púlpito para falar que o saber é algo desnecessário, e que o mais importante é falar línguas estranhas, é culto ao burro. Porque isso nunca foi culto a Deus. Até porque há advertências exaustivas na Bíblia para se buscar conhecimento.

“Filho, aprenda o que eu lhe ensino e nunca esqueça o que mando você fazer. ESCUTE OS SÁBIOS E PROCURE ENTENDER O QUE ELES ENSINAM. Sim, PEÇA SABEDORIA E GRITE pedindo entendimento. Procure essas coisas, como se procurasse prata ou um tesouro escondido. Se você fizer isso, saberá o que quer dizer temer o Senhor, e aprenderá a conhecê-lo” (Provérbios 2:1-5).

Irmãos, deem valor aos pastores, pastoras, missionárias, pregadores, pregadoras que estudam, que se dedicam a dar o seu melhor no altar de Deus, que levam a sério a pregação do evangelho, que se esmeram em estudar, pesquisar para dar um bom estudo da Palavra de Deus; que tem por objetivo tirar a cegueira do povo, libertá-lo, levá-lo a uma consciência profunda sobre Deus e a sua Palavra. Não se deixe enganar por arrogantes que não sabem discernir entre a mão esquerda e a direita e ficam cultuando o burro e não a Deus. Pois assim diz a Bíblia:

Está chegando o dia em que mandarei fome pelo país inteiro. Todos ficarão com fome, mas não por falta de comida, e com sede, mas não por falta de água. Todos terão fome e sede de ouvir a mensagem de Deus, o Senhor. Correrão do mar Morto até o mar Mediterrâneo, irão pelas regiões do Norte e do Leste do país, procurando a mensagem de Deus, o Senhor, mas não a encontrarão” (Amós 8:11,12).  



Rev. Paulo Cesar Lima
Presidente da 1ª Assembleia de
Deus EM CRISTO

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«Culto ao burro» é o culto com ausência de reflexão, consciência, discernimento.  É o oba! oba! do senso comum; é o culto da emoção, da sensação, dos arrepios, dos calafrios; é o culto do «não sei e tenho raiva de quem sabe»; é o culto do «cheio de poder», mas uma coisa sem pé e sem cabeça. Não é que a gente seja contra as emoções; elas são bem-vindas, desde que não seja um fim em si mesmas. Isto porque mesmo de joelhos podemos estar pensando. Paulo diz: «Eu SEI em quem tenho CRIDO...»

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